Empresas abertas por jovens em Goiás aumentam mais de 1000% em 6 anos

Dados do Sebrae-GO se alinham a tendência das novas gerações em nível nacional: ter o próprio negócio já é terceiro principal sonho de brasileiros até 34 anos, de acordo com relatório sobre empreendedorismo

8 de maio de 2026 às 11:03

O número de empresas abertas por jovens em Goiás saltou de 9 mil em 2020 para 142 mil em 2026. Na média, 25 mil novos empreendimentos liderados por jovens entre 18 e 29 anos surgiram por ano no Estado, durante esse período. Trata-se de uma explosão de mais de 1.470%, que ajuda a visualizar como a camada mais jovem da população goiana enxerga seu lugar na economia.

Os números são do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-GO), e permitem traçar um perfil desse jovem empreendedor goiano. Um primeiro aspecto que chama a atenção é o fato de ele quase sempre iniciar sua trajetória pequeno: 90% desses jovens empresários são Microempreendedores Individuais (MEIs), que atuam sobretudo nos setores de serviços (61%) e comércio (29%). Promoção de vendas, serviços de beleza (cabeleireiro, manicure e pedicure) e varejo de vestuário e acessórios são as atividades que predominam.

Entre os municípios, Goiânia lidera o número absoluto de empresas encabeçadas por jovens, com 24.489 estabelecimentos, o que equivale a 7% do total de negócios da cidade. Em termos percentuais, as cidades que lideram o ranking em Goiás são Águas Lindas, onde 12% do total de empreendimentos são de propriedade de jovens, e Aparecida de Goiânia, com 10%.

Os números em Goiás parecem refletir tendências nacionais, explicitadas na última edição do Global Enterpreneurship Monitor (GEM), considerado o principal relatório de avaliação do empreendedorismo no mundo. De acordo com o documento, divulgado em 2024, 33,4% das empresas brasileiras são pequenos negócios liderados por pessoas entre 18 e 34 anos.

Mas o dado que mais chama a atenção é revelado por um índice denominado Taxa de Empreendedorismo Potencial, ou seja: percentual da população que não exerce atividade empresária, mas define essa perspectiva entre seus principais objetivos de vida. De acordo com o GEM, 49,8% da população adulta brasileira deseja se tornar empreendedora em um espaço de três anos, o que equivale a 47 milhões de pessoas. Desse total, 41,6% são formados por jovens entre 18 e 34 anos.

Sonho dos jovens

E mais: ter um negócio próprio ficou em terceiro lugar entre os sonhos da população brasileira em um ranking definido pelo GEM. Para se ter uma ideia da expressividade dessa percepção, o desejo de ser dono do próprio empreendimento ficou atrás apenas da aquisição da casa própria e da realização de viagens pelo país. A construção de uma carreira sólida na iniciativa privada, mas como empregado, ficou em 9º lugar nessa lista de desejos profundos.

De acordo com o economista Marcos Antônio Teodoro, os dados apontados tanto pelos números do Sebrae quanto pelo Relatório GEM refletem as atuais tendências do mercado de trabalho no Brasil. “O cenário é de uma média salarial baixa e muitas exigências, tanto na fase da contratação, onde há muita concorrência, quanto na execução das tarefas. Isso torna a possibilidade de abrir o próprio negócio muito atrativa”, analisa.

Ainda segundo Teodoro, as características da população jovem tendem a consolidar ainda mais as tendências apontadas pelas estatísticas nos próximos anos. “Os jovens tendem a ser mais ousados, têm perfil mais dinâmico e possuem maior adaptabilidade. Conseguem realizar com mais rapidez tanto a mudança de foco de um negócio já estabelecido quanto a transposição de uma atividade quando é necessário. Isso faz deles os empreendedores por excelência”, salienta.

Inovação e resiliência

Quem se encaixa nesse perfil com fidelidade é o empresário do ramo da indústria de alimentos Felipe Mabel, 41. Ele relata ter iniciado sua trajetória no empreendedorismo jovem como fisioterapeuta de 24 anos, à frente de um pequeno negócio de lounges itinerantes de massagem, descanso e beauty care durante festas. “Nós chegávamos – eu e a minha equipe -, montávamos o espaço e oferecíamos serviços de quick massage, cabeleireiro e maquiagem”, descreve.

Mabel acrescenta que a experiência foi fundamental para que ele progredisse para outro nível de capacidade empresarial ao abrir uma distribuidora da indústria de sorvetes, a Soul Gelato, em 2020. Dessa iniciativa, ele passou a sócio da própria fábrica, onde atualmente ocupa cargo na alta administração. “Mas foi lá, no início, que aprendi a fazer gestão de pessoas, fluxo de caixa, controle de resultados e estabelecimento de metas”, comenta.

Para os iniciantes, Felipe Mabel frisa que o principal elemento de definição de um empreendedor em início de carreira é a junção entre arrojo e resiliência. “Você tem que pensar fora da caixa o tempo todo. Tem que inovar, fazer diferente do resto da concorrência. E tem que ter energia para fazer frente às dificuldades, que são inúmeras no início. Nesse sentido, a energia que temos na juventude faz toda a diferença. Ela é um ativo inestimável”, conclui.

Crédito das fotos: Mantovani Fernandes